
Mais uma vez, um grupo de zapateiros dirige-se rumo ao seu retiro nocturno. À sua cozinha, à sua toca, à sua casa. A Rua dos Poços Negros parece outra quando a luz do Zapata ilumina, ainda que timidamente, a linha do eléctrico. A porta, alegremente enfeitada por umas cortinas de renda branca, abre-se magicamente. O cheiro zapata vem-nos à memória e a felicidade toma conta de nós, qual cão de Pavlov.
Se não, eis que então chega a desilusão. O nosso retiro foi violado. O ar da Serra inunda o Zapata. O pânico instala-se, a confusão domina-nos, a tristeza assalta-nos. Os olhos de outros zapateiros surgem inundados de melancolia, de mágoa, de ardor, de revolta: foi a vitória dos tristes.
O Zapata é agora um lugar abandonado, ermo, sem vida, sem acção, sem emoção. As filas de mesas, outrora cheias, conservam os pratos intactos, os copos virados para baixo e os talheres repousados. O balcão está vazio, apenas ocupado por um resistente. São possíveis os momentos de silêncio, apenas interrompidos pelo som breve da televisão. Já não há o característico barulho zapatista. O Sr. Vicente tem pouco trabalho, o Sr. Ângelo tem mais tempo para beber imperiais e o Zapata jaze morto, caído no chão.
Assassinaram o Zapata. Essa lei anti-tabaco... sem piedade, sem pesar.
O melhor... o melhor mesmo é afogar as mágoas... na rua cinzenta, de copo na mão, de cabelo molhado e nariz frio.
Era o nosso Zapata.
2 comentários:
é fazer figas para que as obras sejam rápidas! e pode ser que a falta da clientela habitual os leve a fechar mais cedo, o que significa que se pode fumar lá dentro tb mais cedo hihihihi
Mas calma lá... ainda não fechou. O Senhor Ângelo disse que era so em Fevereiro!
:) Vamos despir-nos no Zapata. Aliás, despedir... :)
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